Os 6 Take Aways que ficaram com a gente depois do Web Summit Rio 2026
Takeaways FFX

Escrito por
FFX Group
Foram quatro dias de evento. Mais de 50 palestras acompanhadas pela curadoria da FFX, dezenas de entrevistas, encontros com executivos, empreendedores, creators, atletas e especialistas que estão ajudando a moldar o futuro dos negócios.
Ao longo das próximas páginas, você encontrará os 53 artigos que produzimos durante o Web Summit Rio 2026.
Nem sempre os temas mais importantes estavam nos maiores palcos. Nem sempre surgiram nas apresentações mais comentadas. Mas quando olhamos para o conjunto da obra, algumas mensagens ficaram impossíveis de ignorar.
Estes são os 6 Take Aways que levamos conosco do Web Summit Rio 2026.
🤖TAKE AWAY 01
Da Inteligência Artificial à Inteligência Organizacional
Se houve um tema dominante nesta edição, ele foi a Inteligência Artificial. Mas talvez a principal surpresa tenha sido perceber que os debates mais interessantes não eram sobre tecnologia. Eram sobre pessoas.
Executivos da Microsoft, Google Cloud, IBM, NVIDIA, Claro e CI&T falaram sobre agentes, infraestrutura, modelos e produtividade. Mas, cedo ou tarde, todas as conversas acabavam chegando ao mesmo lugar: cultura organizacional.
Priscyla Laham lembrou que a maior inteligência de uma empresa continua sendo sua força de trabalho. Leandro Angelo, da CI&T, provocou ao afirmar que apenas uma pequena parcela das organizações consegue capturar valor real da IA generativa. Já Marcio Aguiar, da NVIDIA, trouxe serenidade para um mercado ansioso ao lembrar que a revolução da IA não acontece em um único momento, mas em ondas sucessivas.
O que ouvimos repetidamente ao longo do evento foi que a tecnologia amadureceu mais rápido do que as organizações.
A discussão deixou de ser como implementar IA e passou a ser como criar empresas capazes de aprender, decidir e operar em um ambiente radicalmente diferente.
Talvez o verdadeiro desafio não esteja na Inteligência Artificial em si, mas na capacidade das organizações de evoluírem na mesma velocidade que ela.
REFLEXÃO PARA SUA ORGANIZAÇÃO
Quanto do investimento destinado à IA está sendo acompanhado por investimentos equivalentes em capacitação, liderança, cultura e novas formas de trabalho?
📊TAKE AWAY 02
O Paradoxo do Retorno
Existe uma pergunta que apareceu em diferentes palcos, setores e contextos ao longo do Web Summit: por que nunca tivemos tanta tecnologia disponível e, ao mesmo tempo, tanta dificuldade para capturar valor dela?
O tema surgiu nas discussões sobre IA, marketing, transformação digital, experiência do cliente e produtividade. E chamou atenção porque foi tratado de forma surpreendentemente honesta.
Victor Travalon, da Kraft Heinz, compartilhou os desafios de transformar experimentação em resultado mensurável. Thiago Albuquerque questionou por que, mesmo com mensagens mais inteligentes e personalizadas, retenção e crescimento continuam sendo temas tão complexos para as empresas. Em diferentes trilhas, a sensação era parecida: a corrida tecnológica avançou mais rápido do que a capacidade de execução das organizações.
A impressão que ficou é que estamos entrando em uma nova fase da transformação digital. A fase da adoção ficou para trás. Agora começa a fase do retorno.
A vantagem competitiva está migrando para quem consegue conectar tecnologia, cultura, estratégia e execução em uma mesma equação.
REFLEXÃO PARA SUA ORGANIZAÇÃO
As iniciativas de transformação possuem métricas claras de geração de valor ou ainda estão sendo avaliadas principalmente por volume de projetos, pilotos e ferramentas implementadas?
🇧🇷TAKE AWAY 03
Quando tudo é otimizado, o diferencial volta para emoção, sensorialidade e memória
Talvez um dos movimentos mais interessantes do evento tenha sido perceber quantas vezes palavras como emoção, memória, pertencimento e conexão apareceram em um encontro dominado por tecnologia.
Durante anos, o mercado buscou eficiência. Investimos em automação, personalização, inteligência de dados e otimização de jornadas. E tudo isso continua importante.
Mas algo parece estar mudando. Quando todos têm acesso às mesmas ferramentas, eficiência deixa de ser diferencial. Ela passa a ser expectativa.
Alexandre Martinez, da On, falou sobre a importância de construir comunidades em vez de interrompê-las. André Britto, da Bauducco, lembrou que emoção gera memória. Pedro Barbosa, do Burger King, reforçou que o que multiplica investimento não é apenas alcance, mas lembrança.
Liel Miranda mostrou como marcas brasileiras como Havaianas, FARM Rio e Granado conseguiram transformar brasilidade em desejo global não por atributos funcionais, mas por tudo aquilo que representam.
Em um cenário onde eficiência se tornou obrigação, significado, emoção e memória voltam a ocupar o centro da conversa.
REFLEXÃO PARA SUA ORGANIZAÇÃO
O que sua marca oferece hoje que vai além do produto, do serviço ou da conveniência?
🫂TAKE AWAY 04
Comunidade, fandom e participação cultural
Uma palavra apareceu tantas vezes ao longo do evento que seria impossível ignorá-la: pertencimento. Ela surgiu nos painéis de games, creators, esportes, entretenimento, varejo e branding.
Diego Martinez, da Riot Games, defendeu que comunidade não é uma ferramenta de conversão, mas um espaço onde pessoas constroem identidade. Beto Fabri mostrou como a CCXP se transformou em um fenômeno cultural justamente por entender essa dinâmica. Patricia Muratori, do YouTube, lembrou que creators deixaram de construir apenas audiência para construir comunidades, fãs e negócios.
O mais interessante é que esse raciocínio já não está restrito ao entretenimento. Marcas, plataformas e empresas de diferentes setores começam a perceber que a relação com seus públicos não pode mais ser resumida a uma transação. As pessoas querem participar. Querem se reconhecer. Querem sentir que fazem parte de algo.
Talvez por isso uma das grandes disputas dos próximos anos não seja apenas por market share, mas por relevância cultural.
REFLEXÃO PARA SUA ORGANIZAÇÃO
Sua marca possui consumidores ou possui pessoas que realmente se sentem parte dela?
🛒TAKE AWAY 05
Nova jornada de compra: SEO, GEO e a fragmentação dos canais
Durante muito tempo, a jornada digital parecia relativamente previsível. O consumidor fazia uma busca, encontrava um resultado, acessava um site e seguia sua decisão. Hoje essa lógica já não explica a realidade.
Neil Patel chamou atenção para o crescimento das buscas ao mesmo tempo em que o tráfego dos sites diminui. Bernardo Brandão, da Nuvemshop, mostrou como as respostas geradas por IA e as buscas sem clique estão mudando a dinâmica da descoberta digital. Gabriela Comazzetto trouxe exemplos concretos de como social commerce e live commerce estão transformando plataformas de conteúdo em canais permanentes de venda.
O que está acontecendo é maior do que uma mudança de ferramenta. A descoberta pode acontecer no TikTok. A validação pode vir de um creator. A resposta pode ser entregue por uma IA. E a compra pode acontecer em um ambiente completamente diferente.
A jornada continua existindo. Mas ela está cada vez menos linear.
REFLEXÃO PARA SUA ORGANIZAÇÃO
Você sabe hoje onde seus clientes descobrem sua marca, em quem confiam para validá-la e em quais ambientes tomam suas decisões de compra?
🏆TAKE AWAY 06
O que atletas e esportes ensinam para as empresas
Em um evento recheado de discussões sobre inovação, algumas das reflexões mais marcantes vieram de histórias profundamente humanas.
Rebeca Andrade emocionou ao lembrar da menina que saía de casa sem dinheiro para o ônibus, mas carregava um sonho muito maior do que as circunstâncias permitiam enxergar. Fernanda Keller e Kyra Gracie compartilharam histórias de resiliência, disciplina e reinvenção em ambientes que, durante muito tempo, disseram que elas não pertenciam àquele lugar.
O interessante é como esses relatos dialogam diretamente com os desafios enfrentados pelas empresas atualmente. Transformação exige consistência. Aprendizado exige repetição. Resultados exigem tempo.
Alexandre Martinez, da On, reforçou essa visão ao mostrar como propósito, disciplina e clareza de intenção fazem parte da construção de uma marca da mesma forma que fazem parte da trajetória de um atleta.
Em um mundo obcecado por velocidade, o esporte trouxe uma lembrança importante: alta performance não nasce de momentos extraordinários. Ela é construída todos os dias.